Valle de Cocora e Salento: devíamos ter pesquisado antes e melhor

março 18, 2011

Pois é, se tivéssemos ido embora naquele sábado que terminou com o Parque do Café, teríamos as expectativas cumpridas. Mas ai veio, no dia seguinte, a brilhante idéia de seguir a sugestão da nossa querida Carol de Armenia (cidade da região) de conhecer o Valle de Cocora e a cidade de Salento. Alugamos um táxi (afinal, o Panaca é longe de tudo) e depois de 1h30 estávamos no vale.

mistureba no vale

Uma mistura de bosque europeu com montanha peruana e um rio no meio: assim tento definir o vale. É que ele foi formado, segundo dizem, por um derramamento de lava há não sei quantos anos. Se você fizer um esforço até percebe isso. Mas é o que menos importa, afinal a natureza de lá é simplesmente linda.

Uma de suas marcas são as palmeiras gigantes, tipo Lost. Exclusivas dali, elas chegam de 20 a 40 metros, um espetáculo a parte. Como tínhamos pouco tempo, optamos por uma cavalgada de 30 minutos (por exíguos R$15 o casal), mas deu vontade de dar uma assadinha extra e andar mais. Eles têm quatro tipo de passeios 30min (até o rio Quindío), 1h (um pouco pra lá do rio), 2h (local de pesca esportiva de truta) e o mais tentador : 4 dias no lombo do bichinho (que leva até os Nevados de Ruiz).

palmeiras gigantes: os palmeirenses iam ficar loucos

Enquanto éramos guiados por Felipe (o amigo dos cavalos – esse é o significado do nome do rapazinho que cuida deles por lá) descobrimos muito sobre a vegetação, mitologia e fauna do vale. A qualidade de informação, na verdade, não só nos surpreendeu com o guia jovem, mas também com o taxista e um bocado de gente que conversamos pelo estado: todos bem informados não só sobre direções, mas sobre a  região.

aventura nível médio

Já Salento foi um pulo e boas fotos. Como estávamos atrasados por desfrutamos de uma truta deliciosa feita no vale, acabamos dando uma geral na cidade, que é bem cuidada, como as cidades históricas que já vimos por onde passamos. Deixo aqui em baixo imagens peculiares da feira ao ar livre. Verdadeiramente, a região merece uma volta.

gente simpática

10 no quesito arquitetura simpática

artigos interessantes

os incríveis jeeps willy: a febre da regiao. Estao sempre abarrotados de gente, bicho, mercadoria.

Eje cafetero – O Panaca e o Parque do Café

março 14, 2011

Pois é, para dar uma relaxada do ritmo intenso do carnaval, neste final de semana demos o ar da graça num naco do famoso Eje Cafetero: o estado de Quindío. Naco, porque a região ainda compreende os estados de Caldas, Risaralda, o norte-oriente do Valle del Cauca e o sul do estado de Antioquia. E se vocês me perguntarem sobre minhas impressões sobre a região, posso resumi-las em várias surpresas.

Sério que eu não dava muito pela área. É que muito se ouve falar de fazendas de café, museu do café, animaizinhos e café, parque do café, café, café e café, e pensei que a viagem ia ser um pouco falta do que fazer, programa pra família e … café. Bem, digamos que uma boa parte da programação é isso mesmo. A começar pelo hotel onde ficamos: Hotel Panaca.

Não, não é uma ironia ou auto xingamento, o Hotel Panaca é um dos melhores hotéis da região, que se vangloria de ser o maior e o primeiro parque temático agropecuário da Colômbia. O que isso quer dizer? Que se você tem criança, é o melhor lugar para ficar. Sério. As instalações são ótimas para família, do tipo pais que finalmente podem tomar um bom banho de sol, curtir uma bebidinha e uma piscininha. É que eles têm milhares de atividades que juntam: criança de cidade – animais – atividades com animais – espírito da roça. Como a gente não tem filhos…

Resolvemos pular essa parte e ir ao famoso Parque do Café. Espécie de Disneylândia latina com tema Café (oh!), o lugar é, no melhor estilo mineiro de qualificar, ajeitadinho. Eu explico: ele é bem organizado mas tem vocação para sucursal do inferno. Está dividido entre duas atividades principais: culturais (museu do café, show, passeio pelos mitos e lendas colombianos,etc) e diversão (montanha russa, bate bate, kart, cavalgadinha, etc). Como fomos em baixa temporada, conseguimos aproveitar tudo, mas as filas sinalizando “você está há uma hora da atração” nos deram uma idéia do caos que o espaço pode se transformar em época de férias e feriados.

Parque do Café: panorâmica do teleférico

A parte mais interessante, por incrível que pareça, é o museu do café. Interativo e criativo, o museu tem quatro salas grandes, que abordam a relação do café com a história, cultura, desenvolvimento social, processos, botânica e saúde de uma forma super atrativa. Você sai de lá valorizando muito, mas muito, o café produzido no país.

outra geral

Ainda mais quando você descobre que essa região (de Quindío) já não possui mais tanto café e sim plátano.

Eje do Plátano?

Com a praga que tiveram na década de 90 (a broca) e a quantidade de avaliação e exigências que o café tem que ter para o selo de qualidade colombiano, muitos agricultores abandonaram o cultivo e substituíram por banana, plátano e mandioca. Segundo o taxista que nos guiou, a região hoje que mais produz café na Colombia é o estado de Caldas.

algo que veio a calhar no parque do café…

Tangaratanga

fevereiro 3, 2011

Um fiapo atrás. Quanto mais fiapo, mais tanga brasileña. Sim, minhas queridas leitoras, por aqui, o fio dental para dentes siameses é conhecido como tanga brasileña. Na imaginação local é como se todas as brasileiras usassem o modelo. Nós temos bunda, elas não são tao privilegiadas assim. Você sai na rua eles já olham, é do Brasil! Daí, quando se descobre a peça íntima, pensa, estao achando que estou com uma. Ódio, vergonha e uma vontadezinha de falar português em loja de roupas íntimas.

A questão é que, sim, há uma probabilidade bem grande de estarmos de porte de uma dessas. Enquanto no Brasil, a mulherada era acostumada com a calcinha meio termo, aqui, você encontra ou o famoso coador de café ou a tanga brasileña. E entre um e outro, não há duvidas, a gente aprende a vestir o fio e se sentir a mais carioca das copacabanas e ipanemas juntas.

Os companheiros agradecem e a fama segue. Só não se atreva a usar um fio dental nas águas caribenhas. É pedir pra olho de colombiana ficar de menesgueio e para o colombiano secar a sua bunda. Topless pode, afinal, as européias fazem, é chique. Mas fio dental, só guardadinho numa calça jeans, se sentindo a “garota” brasileira.

Ao fundo, uma loja colombiana cheia de tangas, super discreta, neam? vídeo: Bruna Carrazone . Risos ao fundo (estilo Chaves): Ju, Ma, Isa e Re.

VOLTEI. Que CHÉVERE, não?

janeiro 24, 2011

Da última vez em que escrevi nesse lugarzinho aqui, foi pra dizer que estava voltando. E acabei entrando num túnel negro chamado fim de semestre e quase não voltei. Então, dessa vez, não vou fazer promessas de permanência, mas agradecer pela cobrança geral que vem por tudo quanto á do “deixa de preguiça e escreve aqui dona Loba!”

E vou começar com a cara de pau gigante que Deus me deu, apresentando para vocês uma palavra para depois promover um jabá daqueles. E a palavra é:

CHÉVERE! Significado: uma palavra feia pra dizer coisa boa. Aqui é super CHÉVERE dizer CHÉVERE para situaçoes que são bacanas, cool, ou coisas, pessoas, animais que provocam o sentimento do NOSSA!QUE MÁXIMO!

O mais perto que cheguei da origem dessa expressão que parece marca de carro foi que ela veio de Cuba e aterrizou cheia de amor pra dar pela costa. Daí pegou um aviãozinho básico e foi descendo, descendo até chegar em Bogotá.

Ela pode se juntar ao BAKANO! (que tem a mesma conotação de tiozão tentando ser descolado do nosso Bacana) ou ao SUPER! (que é um pouco mais cool e cronologicamente estaria entre o BAKANO e o CHÉVERE), além do SUPER BAKANO! (que soa como o Roberto Carlos numa boate teen). Foneticamente você deve dizer: TCHÉVERE! BAKÁNO! SÚPER! e com muita exclamação, que fique bem claro.

Quanto ao jabá, vou apresentar um super chévere! para vocês: é que no fim do ano, lançamos o livro Como te extraño Bogotá! , que conta experiências de 38 brasileiras sobre o que foi estranho e o que elas irão extrañar (sentir falta) daqui da cidade. Acabou virando uma espécie de guia sensorial que, modéstia favas, vocês não vão encontrar em outro lugar. Com a organização da Senhora Gisleine Silveira e desta loba que vos escreve, o livro tem edição independente, o que quer dizer que vocês podem comprá-lo comigo (enviamos para o Brasil e outros países) por R$ 90 (e conversoes possíveis e impossíveis) e brevemente nas livrarias Panamericana de toda Colômbia. Sentiram vontade de ter um trabalho SUPER BAKANO Y CHÉVERE na casa de vocês? Me escrevam que eu mando! renatamlobato@yahoo.com.br

 

até o Carrefour daqui é Chévere...

 

o livro! tem até capa dura...

Tirando as teias de aranha – parte final

julho 19, 2010

Turquia

Uma semana de Istambul foi pouco, eu assumo. Em especial, porque foi a primeira vez que conseguimos viver como (ou quase, vai) os habitantes da cidade. Isso se deve ao nosso anfitrião e querido amigo Murat que, com o carinho característico que o povo turco tem (bem próximo ao daquelas tias que te “entuxam” do melhor que podem dar, seja comida, bebida, um bom banho…), nos deu a possibilidade de conhecer a Istambul que os turistas comuns  geralmente não alcançam.

Nosso amigo Murat (primeiro à esquerda) apresentando novos amigos e muita muita comida turca!

Sim, fomos às principais e surpreendentes mesquitas e palácios, aos passeios ao estreito de Bósforo, mas também a um típico aniversário turco (animadíssimo!), a bares e baladas surreais da cidade (onde se pode ouvir não só a música turca, que e ótima, mas também músicas de todo o mundo, até de Java, se bobear!) e nos adaptamos aos costumes locais (o Zé, por exemplo, distribuía beijinhos nos rostos dos amigos do nosso anfitrião, super comum…).

Festa pra turco é festa meeeeeeeeeeeeeesmo!

Como o Murat morava no lado asiático (e mais novo da cidade) quase todos os dias atravessávamos o Mediterrâneo de ferry boat rumo ao lado turístico e europeu, o que valeu descobrir como convivem normalmente os  muçulmanos e os praticantes de outras religiões. O mais curioso para a Loba aqui foi o dia em que vi três amigas muçulmanas com o modelito sobretudo-e-lenço-na-cabeça, vendo uma revista de moda onde só se via (adivinha!) modelos com variações de sobretudo-e-lenços-na-cabeça.  Daí me dei conta que lógico, porque elas não podem ter vaidade dentro de seus limites? Dá-lhes tudo de estampa para lenço e um mundo de cores para os sobretudos! Arrasa Istambul!

o modelito sobretudo-lenço-na-cabeça : elas também poooooodem!

Eu imaginava que ia ao menos emagrecer na Turquia. Ledo engano. A comida turca é simplesmente deliciosa, com seus múltiplos tipos de kebabs, carnes de cordeiro e os doces de comer de olho fechado suspirando hummmmm. A única dificuldade, além da língua- claro!, ficou por conta da bebida principal da casa, o Raki (se pronuncia Rakán) que, como a aguardente colombiana, tem aquele difícil gosto de anis. Ao menos por lá eles dão uma misturadinha com água. E também, cá entre nós, depois de duas viradas goela adentro, com o nível de álcool que você fica no corpo, tudo desce facim, ficam. Desce bebida e desce a dança, porque a Loba aqui foi bastante elogiada pela performance com dança local (algo bem próximo da dança do ventre). Era bracinho e cinturinha na boate, na festa de aniversário, ouvindo rádio no taxi… valeu ter assistido ao Clone… inchalah!

e dá-lhe Raki na gringa geeeeeente!!!

hummmm esses kebabs eram de morrer... olha a água na boca!

Tirando as teias de aranha – parte 2

julho 17, 2010


Grécia

Dizer que pegamos manifestações diárias em Atenas, não chega a ser uma novidade. Os quatro dias que passamos por lá foram mais que suficientes para entender de sol de rachar e pedra de montar. Sim, essa parte da viagem foi praticamente uma edição compacta da National Geografic, o que não deixa de ser  interessante. Mas o que mais me impressionou nesses dias foram os gregos e o humor especial dessa espécie. Com o coração sempre prestes a infartar, eles amam como odeiam e brigam como amam. Nunca se sabe se estão gostando de alguma coisa. Cruizemcredo.

eles conversam ou brigam? sempre fica a dúvida!

Ao contrário do que imaginávamos, a Grécia não estava barata, mas mais acessível que Paris (e qualquer lugar o seria). Ver como se organizavam civilizações antes de Cristo e olhar pra gente, dá uma sensação de que “putz, ainda falta um bocado de coisa pra fazer”. Da parte histórica, eu diria que melhor nos livros que ao vivo  (porque os paleontólogos tem ainda um trabalho duro para reconstruir Agora e adjacências).  Me surpreendi mesmo com o litoral da cidade. Com um transporte de tirar o chapéu (quando não está de greve, claro) Atenas permite que você chegue as suas principais praias de trans (resumidamente um metro que circula na superfície). Porém-contudo-todavia, pra quem conheceu o Caribe e o nordeste brasileiro, a paisagem é bonita de se ver, mas o Mediterraneo é frio de se jogar e a orla, de pedras, duríssima de pisar. Os europeus adoram.

Em Atenas... água mole em pedra dura.

Mas o mais lindo mesmo está nas ilhas gregas. Fomos a Mikonos (que é um paraíso pintado de branco), a Patmos (onde conseguimos pegar uma prainha – fria, de pedra, sem onda, mas praia) e Santorini (onde fizemos um bate e volta em Oia – famosa por ser pioneira em adotar o visual todo branco). Todas com muito turistas, em especial de cruzeiros (e nos estamos incluídos), que lotam a cidade, além de querer circular geral e rápido. Uma pena, porque dá vontade louca de ficar uns dias a mais nestes lugares. Já ia me esquecendo de Creta e o templo do Minotauro (que merece reticências) e o pulinho na gigante cidade de Éfesos (que fica na Turquia e sempre faz parte do roteiro dos cruzeiros). Esta sim, vale muito conhecer. Está super preservada e dá mais idéia de como era organizada. Na verdade, essa é uma dúvida que levamos  dessa visitação toda a um mundo de ruínas. É que ao contrário de Atenas, que optou por uma reconstrução mais quebra-cabeça e  fiel possível, Efessos assumiu que bem-não-vai-ser-possivel-montar-tudo-enfiemos-uns-concretos-ai. O que acontece é que se de um lado, o turista se surpreende com a fidelidade das peças, se desanima um pouco com a necessidade de imaginação; do outro, não precisa de tanta visão espacial, mas vai duvidar o tempo todo do que vê. Dilemas a parte, cada um com seu problema e o meu era só ver e pronto.

Mikonos : deve ser duro ser carteiro por aqui

Patmos: é pau, é pedra...

Santorini: no barranco

Éfesos: mais inteira

Cruzeiro

Num resumão. Com bebida e comida liberadas, você abusa. Com a terceira idade assumindo a maioria do lugar, você se joga ao ridículo mais facilmente.  Com essa coisa de acordar cedo para visitar os lugares e dormir tarde para as baladinhas, você chega um caco ao próximo destino . Com tanto sacolejo, não vomitamos. Com a experiência compactada, chegamos a conclusão de que podemos fazer um novo cruzeiro.

Do cruzeiro para a rehab... no no no

Tirando as teias de aranha – parte 1

julho 16, 2010

Depois de uns bons meses sem passar por aqui, resolvi dar o ar da graça e retomar  histórias sobre a Colômbia. Contraditoriamente, volto abrindo um parêntesis enorme, para atender a pedidos e contar em curtos parágrafos o que mais capturou esse olhar de Loba na minha honey, sweet honey moon em terras estrangeiras. Comecemos então pelo começo (ohhhhh!!!), a bela cidade da Luz, Parrrri!!!!!

Paris

Uma semana em Paris. Poderia morar nesse lugar. Vou poupar vocês do que ja ouviram sobre a beleza da cidade e me concentrar em algumas atrações pitorescas. A primeira, as bicicletas. Simplesmente me apaixonei com a possibilidade de andar pela cidade de bicicleta. O sistema é super eficiente. Você adquire um cartão de graça para circular com as bichinhas durante trinta minutos. Depois dos trinta, cada hora extrapolada vale mais dois euros no cartão. Isso acontece porque a idéia não é a de que você empreste uma bicicleta e a adote, deixando a bichinha em casa.

O sistema quer atender a população e, por isso, tem que fazer as bikes circularem. Para que esse esquema se realize, ha vários pontos com cerca de vinte bicicletas disponíveis, onde você pode estacionar a sua, visitar o lugar de destino e pegar outra. Simples assim. Simples e em dia de sol, perfeito. Você abandona o escurinho do metro e ainda pode dar umas escapadinhas, o que na lua de mel soa perfeito. Para fechar essa história das bicicletas, vale a pena lembrar que eles têm muitas ciclovias e surpreendentemente os carros, caminhões e cia, te respeitam. Como diria o saudoso Lombardi em uns dos velhos enlatados do SBT – Isso é incrível!

pedala Robinho!

Outro item parisiense que me marcou foram os carões. É praticamente impossível viver nessa cidade sem eles. O nosso anfitrião, o ruivo gigolô bandido Alfredinho, nos ensinou que existem duas qualidades principais de carões – o dos bobos (Alfredo, se está escrito errado, me corrija!!) e o da jeunese doreé.  Os bobos são aqueles carões estilo nouvelle vague, em que o sujeito faz uma cara de eu fumo-bebo-cheiro-trepo-e-ainda-sou-capaz-de-dizer-algo- inteligente. No Brasil, estaria mais próximo dos cults, mas com um cenário mais apropriado, no caso,  as margens do San Michel .

Do outro lado, la jeunese doreé (juventude dourada) já apresenta resquícios da velha aristocracia francesa, com seu dia a dia coberto de um luxo casual, quase um descaso, em que a idéia é viver-cada-dia-como-se-fosse-morrer-amanhã-mas-com-a-dignidade-de-uma-bolsa-Louis-Vuitton. Esses tipos podem ser facilmente encontrados ali pela Champs Eliseé e, em especial,  na Rue des Mules (a rua das mulas, dispenso comentários).

Se vocês me dessem mais um paragrafozinho para escrever, eu talvez me concentrasse na culinária local que me fez engordar de leve. A idéia de adotar o tudo “du jour” (sugestão da minha querida Isabel Rodrigues) valeu vinho e comida requintados a preços possíveis, numa cidade que é pra lá de cara. Entre os tops degustados, a Loba que vos fala destaca as carnes, sempre as carnes, de pato (no chique do chique, cannard), maravilhosos scargots e a comida mais nordestina que encontrei por lá, uma espécie de lingüiça de intestino de boi (ou andouillette para os mais finos).

comendo as buchada dos franceses...

Sair de Paris também foi muito bacana. Fomos a Versailles que vale uma viagem para se ter idéia do que e gente rica e o que a imaginação de um rei pode fazer.

o palácio do rei sol de frente

E em Chartres, pela sugestão do nosso queridíssimo padrinho Paulo B, uma petit cidade que tem ares do interior francês como a gente bem imagina e como pintaram os impressionistas franceses. A catedral de lá é simplesmente incrível e não deixa  a desejar quando o assunto é estilo Notre Dame. Os velhinhos e, em especial, as crianças, DEUS do céu, dão  vontade de levar  pra casa! Sigo com a saga amanhã, quando o assunto vai pros gregos. Au revoir…

chartres guti guti

A maldição da lechona (em homenagem a minha mãe e à vigilância sanitária)

março 21, 2010

Em Bogotá existe um paraíso informal chamado San Andresito (SA). O nome é uma referencia a isla de San Andres (isso, é a mesma que vocês leram aqui neste blog) que por ser zona franca, permite que o turista compre artigos importados com seu justo valor.  A diferença de SA com a cidade e os similares brasileiros (feira do Paraguai no DF, shopping Oi em BH, a 25 de SP, etc) reside em tamanho e forma. O que é um shopping ou algumas ruas no Brasil, aqui ocupa três diferentes lugares da cidade, como ilhas gigantes especializadas em eletrônicos, artigos de grife, bebidas, jóias, brinquedos e por ai vai.  E foi num desses fantásticos mundos que nos aventuramos gatronomicamente falando, eu e a minha querida amiga mãe de múltiplos Majoy Antabi, caindo de boca na estimada lechona rellena (leitoa recheada).  

A aventura começa com os olhos. Como carrinhos de pipoca, as lechonas são expostas com cabeça e tudo em câmaras em frente aos bares. Elas não se mexem, como nas TVs para cachorro, mas exibem o pelo cuidadosamente dourado e pururucado por doze horas a fio.

de perfil - era uma da tarde e a lechona já estava pela metade...

Atravessadas por luz, câmera e ação, as bichinhas são cortadas logo por trás, para que o cliente fique com a boca cheia d’água com o recheio de arroz e ervilha. Os ingredientes substituem os miúdos (vísceras, em português formal) e entram logo depois do abate. Em seguida, o “chef” costura a barriga das bichinhas e as deixam num inferno dos diabos, praticamente uma lipo seguida de bronzeamento artificial.

pegando a bichinha por trás

Quando chegam ao bar-restaurante-e-afins estão bem tostadas e gostosas, o que significa uma garantia de venda de uma leitoa inteira em cerca de 14h de trabalho/dia. Eles servem as criaturas em três tamanhos: R$7 (cidadão normal), R$9 (médio glutão) e R$12 (Obelix), com direito a arepa e um garfo para criança (parte ruim da história). O que comemos abaixo é uma porção pequena. O dono da lanchonete contou que uma leitoa rende 150 pratos. Tomando um cálculo por baixo, o cara fatura R$1.050 bruto, nada mal einh?

prato final: a gente quase desiste de comer com o tamanho do garfo

Quanto às conseqüências da lechona, ai vai variar com o que você combina com ela ao longo do dia. No meu caso, como resolvi fazer um zoológico na barriga (juntando com sushi no jantar), me valeu um dia a menos como cidadã comum e um dia a mais na realeza (do trono pra cama, da cama pro trono). Praticamente a maldição da lechona.

Aqui vocês têm os meus momentos de felicidade no dia da degustação. Dispenso do pós.

As palavras enganam

março 5, 2010

E então eu descubro que loba significa algo muito próximo de prostituta. É curioso como essa coisa de vocabulário pode mexer com a gente. Já tinham me advertido sobre isso, mas eu, como criatura insistente que sou, resolvi abrir o meu apelido para amigos colombianos. Resultado: olhos arregalados, mãozinha na boca em forma de: ohhhhh! e um comentário assustado e repressor, quase em libras, pra ninguém ouvir. E foi ai que mais gostei. Sim sou Loba loba loba auuuuuuuuuuuu. E aproveito a oportunidade para brincar com as palavras e significados.

Vocês já sabem das busetas e a minha longa história com elas. Mas não poderiam imaginar que moço, essa palavra que mineiro adora falar, poderia significar amante. Nem eu. E foi por isso que, de repente, o porteiro do meu prédio, o vendedor de arepa entre outros, ingressaram ao sem número de amantes que ganhei em Bogotá nesses últimos tempos por causa do chamamento.

Para piorar a libertinagem, também acabei fazendo sexo por todas as partes da capital colombiana. É que “tirar”, essa palavra que é prima-irmã do “arreda” mineiro, aqui tem uma conotação um pouco mais copulativa, com um equivalente ao “transar” brasileiro. E eu, com o gosto pelo popular que tenho, convido para imaginarem o tanto que andei tirando por ai – por assim dizer, não fazer einh?, afinal, sou uma loba brasileira…

Minha primeira aula no mestrado foi gramática. O professor, o escritor colombiano Alonso Aristizábal, fez uma análise sobre a importância de freqüentar o seu idioma. Isso me pareceu algo muito divertido, como se o Sr. Idioma estivesse em casa e eu, assim como quem não quer nada, acabo entrando, tomando um café e ficando pra uma conversinha.

Acontece que não estou em casa. E quando se está longe, parece que você vira uma espécie de estrangeiro não só do país onde mora, mas também do seu país. Tenho pensado sobre isso com freqüência. Essa coisa de ser de lugar nenhum pode ser bem útil, como, por exemplo, fingir que não entende, quando não quer responder. Mas também pode deixar a gente meio sem norte. E ai, nessas horas, a gente aprende a se refugiar num país instigante que é o das palavras.

Tenho me apegado a sonoridade de cada uma, em especial, às que brincam com diferentes significados e imagens. Ontem, por exemplo, aprendi a palavra “tussa”, que significa espiga de milho, mas que também, ora vejam, pode ser dor de cotovelo. Ao invés do bagaço, as pessoas por aqui se sentem uma espiga – imagina o Visconde de Sabugosa por aqui… Super lógico, se a gente pensar que tanto na Colômbia quanto no Peru, o milho é uma das principais bases da comida/cultura local. A vantagem, nesse caso, é que aprendi a palavra do melhor jeito, sem precisar senti-la.

E ai que me veio uma vontade de saber sobre a palavra preferida de cada pessoa. Sinta-se convidado. A minha predileta é a redonda “vagabunda” – nada a ver com o significado – ou não?

Vai ai a letra de La Loba da colombiana Shakira para vocês entenderem o teor da palavra por aqui… mas se eu posso, ela pode também…hehehehehe (o video é baranguíssimo, já adianto…)

Uivando em San Andres

fevereiro 26, 2010

E finalmente aportamos em San Andrés. Aportar no sentido real da palavra: sem hotel, às 2h da madruga, mochilinha nas costas e boa sorte. E a sorte relativamente estava no nosso lado. A relatividade está ai, porque se a cidade estava lotada e não encontramos vagas, o céu estava lindo e valeu acomodar a pequena bagagem num coqueiro caído e dar uma dormida na praia mesmo.

Depois de arranjar um cantinho pro dia seguinte (porque o romantismo a céu aberto tem limite e precisa de um banho), lá vamos nós dar uma geral pela ilha. Primeira geral, a pé, pelo litoral norte, já descobrimos que sim, o Caribe segue aqui especialmente lindo e morno, a areia fininha e branca, numa paisagem que com certeza Deus andou criando pra tirar umas férias também. Nessa parte da ilha, o mar é bem tranqüilo, tipo rio lento em Caldas Novas, o que fica ótimo pra mergulhar com snorkel. A pesar dos poucos peixes na orla, você pode ter a sorte (no meu caso, bateu na trave!) de encontrar tartarugas dando um role por ali.

Continuando o esquema curtindo uma viagem em um fim de semana, demos uma segunda geral, agora pela ilha toda, com uma Honda Bizz daquelas que até eu dirijo. E até eu dirijo MESMO. Afinal, você não precisa de capacete e muito menos de carteira de motorista pra dirigir uma dessas por lá. Na verdade, nem precisa saber dirigir, porque ali mesmo uma figura te ensina a acelerar, frear e boa sorte. E a boa sorte seguiu durante umas três horas, onde conhecemos alguns lugares típicos da ilha, como o trampolim de 4m de altura que fica em um aquário natural e que, obviamente, eu com o medo de altura que Deus me deu, não me atrevi a pular. Como podem ver, Daniel tratou de fazer essa experimentação científica por mim… e sim, eu ia dizer altitude…

O lado sul da ilha é ainda mais interessante. Lembra um filme do Antonio Banderas que eu esqueci e não consigo achar. Um ar de cidade do interior do México, com casas bem coloridas e ondas um pouco mais animadas (mas se você quiser surfar, não se anime muito).

considerar que a foto foi arriba de uma moto em movimento...

Voltando pro lado norte, encontramos o mesmo esquema fast food das motos, agora com mergulho em águas profundas: vinte minutos de vídeo, um treinamento de dez minutos nos fundos de um hotel voltados pra parte rasa do mar e o batismo já há dez metros de profundidade, com toda a fauna e flora que o Caribe pode te presentear.

Depois da mareada de uns e do encantamento de todos, nada pra comer. Afinal, 17h, um sol de rachar, só resta fechar o comércio pra siesta e abrir mais tarde. Com um sanduíche qualquer na barriga e a promessa de um bom banho, um jantar e rumba mais tarde, chegamos no hotel e caímos nos braços de Morfeu, só acordando no dia seguinte.

Domingão, sol de sempre, dia de desfrutar um perigoso Coco-loko (wisky, brandy, vodka, água de coco e gelo com água do mar) e fazer amigos nativos. Entre eles, Juan Michel, que tenta me ensinar um pouco de criollo (idioma local que mistura inglês com um acento africano, jamaicano, algo do tipo) e da história da ilha (formada essencialmente por negros que sofreram a influência inglesa/holandesa no séc XVII). Ficou faltando a ilha de Providência que fica logo ali a quatro horas de barco ou uma de avião, que dizem ser igualzinha a mim – um pouco mais intocada…hehehehe. Uma desculpa ótima pra voltar.

Coco loko antes...

… Juan Michel depois…

Eu sei que tá um papo de aranha (com Coco loko na cabeça não ia render …)  mas no finalzinho  dá pra ver como eles falam… aguente! Devo destacar que o cinegrafista ficou com um pouquinho de medo, depois que o meu amigo resolveu cobrar pela entrevista… uma pena, porque seguimos com a conversa até ele traduzir: “as brasileiras são belas”  por ” de brasiliá umá ar róte” (algo como the brasilian women are hot!)


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