A maldição da lechona (em homenagem a minha mãe e à vigilância sanitária)

Em Bogotá existe um paraíso informal chamado San Andresito (SA). O nome é uma referencia a isla de San Andres (isso, é a mesma que vocês leram aqui neste blog) que por ser zona franca, permite que o turista compre artigos importados com seu justo valor.  A diferença de SA com a cidade e os similares brasileiros (feira do Paraguai no DF, shopping Oi em BH, a 25 de SP, etc) reside em tamanho e forma. O que é um shopping ou algumas ruas no Brasil, aqui ocupa três diferentes lugares da cidade, como ilhas gigantes especializadas em eletrônicos, artigos de grife, bebidas, jóias, brinquedos e por ai vai.  E foi num desses fantásticos mundos que nos aventuramos gatronomicamente falando, eu e a minha querida amiga mãe de múltiplos Majoy Antabi, caindo de boca na estimada lechona rellena (leitoa recheada).  

A aventura começa com os olhos. Como carrinhos de pipoca, as lechonas são expostas com cabeça e tudo em câmaras em frente aos bares. Elas não se mexem, como nas TVs para cachorro, mas exibem o pelo cuidadosamente dourado e pururucado por doze horas a fio.

de perfil - era uma da tarde e a lechona já estava pela metade...

Atravessadas por luz, câmera e ação, as bichinhas são cortadas logo por trás, para que o cliente fique com a boca cheia d’água com o recheio de arroz e ervilha. Os ingredientes substituem os miúdos (vísceras, em português formal) e entram logo depois do abate. Em seguida, o “chef” costura a barriga das bichinhas e as deixam num inferno dos diabos, praticamente uma lipo seguida de bronzeamento artificial.

pegando a bichinha por trás

Quando chegam ao bar-restaurante-e-afins estão bem tostadas e gostosas, o que significa uma garantia de venda de uma leitoa inteira em cerca de 14h de trabalho/dia. Eles servem as criaturas em três tamanhos: R$7 (cidadão normal), R$9 (médio glutão) e R$12 (Obelix), com direito a arepa e um garfo para criança (parte ruim da história). O que comemos abaixo é uma porção pequena. O dono da lanchonete contou que uma leitoa rende 150 pratos. Tomando um cálculo por baixo, o cara fatura R$1.050 bruto, nada mal einh?

prato final: a gente quase desiste de comer com o tamanho do garfo

Quanto às conseqüências da lechona, ai vai variar com o que você combina com ela ao longo do dia. No meu caso, como resolvi fazer um zoológico na barriga (juntando com sushi no jantar), me valeu um dia a menos como cidadã comum e um dia a mais na realeza (do trono pra cama, da cama pro trono). Praticamente a maldição da lechona.

Aqui vocês têm os meus momentos de felicidade no dia da degustação. Dispenso do pós.

 

11 Respostas para “A maldição da lechona (em homenagem a minha mãe e à vigilância sanitária)”

  1. ANGELA Disse:

    Querida Filha,
    Como dizem os antigos e a experiência de anos na Vigilância Sanitária, se conselho fosse bom…………….
    Pois bem espero que tenha valido como experência!!!!!!!!
    Um beijo.

  2. João Flávio Disse:

    O que te levou para o trono foi essa garrafa de Seven Up! Ô refrigerante ruim! Ninguém merece…

  3. FABÍOLA SANDY Disse:

    Ei Rê,
    A Larissa me passou seu blog e eu estou amandooooooo!!!!!!!
    como sempre, vc é muito divertida!!!!
    saudade de vc!!!!
    beijo enorme e muito sucesso, sempre!!!

  4. Adriana Carreño Disse:

    Jeje… Cuanto me alegra que hayas disfrutado de uno de los platos autóctonos de nuestro país. La verdad es que nunca me pregunté por la rareza que sería para un extranjero el plato de lechona y su forma de exhibirse, y de servirse.
    La tripa de los hambrientos compradores de San Andresito se curte a punta de lechona y los de sanidad no reciben ninguna queja.
    ¿Estaba buena verdad?

  5. Marianna Disse:

    Gata, por favor, faça contato. Na minha condição de madrinha, preciso de informações desse casamento.
    Beijos

  6. Cecy Disse:

    Renata Lobato! Soube há pouco de seu novo estado civil e aventuras mundo a fora! Felicidades prá vc!

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