Garotas molhadas

Dezembro 1, 2009 por lobaestrangeira
Há três horas de Bogotá, em uma rodovia três estrelas caminhando para quatro, encontrei um pouco do que se chama boa vida. Água quente, massagem, comidinha leve, um povo receptivo, solzinho com frio e o melhor, tudo muito barato.

Bem vindo às cidades termais do departamento de Boyacá: Paipa e a pequena Iza.

Como cidade, Paipa tem um lago para esportes radicais, uma Igreja (que fotografei num dia de velório e, por isso, com movimento) pracinha, hotéis especializados em beleza e um centro termal. O centro não possui nada ultramega especial, acomodações simples, mas limpas, e o que leva um bocado de gente pra lá: um circuito termal de duas horas.

É o único da região. Ele começa com um banho numa piscina aberta com algas (sabe quando a piscina fica muito tempo sem limpar? é essa aparência), passa pelos jatos de água sobre o corpo, banheira de borbulhas, jacuzzi, sauna seca e pra encerrar, o famoso banho de lama (fruto da indignação do Gu: “eu tô pagando pra colocar merda na cara?”).

Tudo isso bem quentinho, vindo de um poço de 70º C que fica do lado de fora do espaço. Eles misturam essa água do poço que é sulfurosa à água fria, chegando a agradáveis 36-37º C de temperatura permanente durante todo o circuito.

O preço varia entre R$ 15 na baixa estação e R$ 35 na alta. Quer mais? Você pode ainda desfrutar de massagens com alga ou óleo, ao fim do circuito. Elas custam entre R$ 30 e 64. De graça, se você pensar que em Bogotá, uma massagenzinha básica de 45minutos custa R$100 – e não estou falando de Brasil, einh?

Enfim, um lugar para relaxar – e só. Afinal, o público-alvo é formado especialmente pela inteira idade. Isso quer dizer que, em um dia de sorte, você pode desfrutar do circuito com quinze (quantidade máxima) gatinhas camisas molhadas da terceira idade. Sim, essas vovós alvoroçadas entram de roupa nas piscinas (todo respeito), mas sem nada por baixo (sucesso.com.br).

a igrejinha de Paipa em um dia cheio… imagina…

 

bonequinha preta

Izaaaaaaaaaaa – saúde é o que interessa o resto não tem pressa

Não estou resumindo. O povoado de Iza (pronuncia-se Issa) é literalmente uma rua que vai e outra que volta com vielinhas no meio. Mas é lindo. As casinhas coloniais, o povo de poncho, tudo bem cuidadinho, cidade de boneca.

E pra ajudar, Iza possui dois poços termais parecidos com o de Paipa. Eles ficam em hotéis um pouco distantes da cidade (15 a 20 minutos), mas a paisagem vale a pena. A infra é bem menor que a de Paipa, o que quer dizer pagar R$10 por um dia inteiro desfrutando de uma piscina térmica, no meio da natureza. Como fui em uma terça feira normal, o hotel ficou exclusivamente aberto pra mim (praticamente uma estrela!).

Sinceramente, não reclamei. Agüentei ao máximo o momento eu-comigo-mesma e voltei pra cidade, onde duas senhoras se gladiavam pra me vender um doce – é que a cidade também é famosa por suas sobremesas. E eu, que não sou boba e quero voltar, diplomaticamente, comprei das duas – uma pra mim e outra pras duas espinhas gigantes que afloraram nesses dias de tanto cuidado com a pele…

Iza: rua que vai

rua que volta

monstro do lago em momento de exclusividade

 

 

 

Já que…

Novembro 26, 2009 por lobaestrangeira

Eu ia falar, mas já que o Gu (Augusto Franco, jornalista do Hoje em Dia em visita a esta que vos fala com sua querida esposa Bel) descreveu tão bem o restaurante La Juguetería, resolvi linká-lo aqui. Se sobrar tempo, vale a pena ler os posts anteriores, em especial o sobre a Chicha (bebida local bastante popular).

Então, clique aqui  e acesse o blog Prato do Dia com as experiências desse jornalista gourmet pela Colombia entre outras peripécias gastronômicas…

coisas que se encontra na Juguetería... super romântico, não?

a boneca é de lá, mas fala que a sua também não está assim?

Lá vou eu, lá-vô-eu…

Novembro 23, 2009 por lobaestrangeira

Depois de um belo jejum, estou de volta. Tá, os emails cobrando notícias ajudaram, obrigada pra quem mandou. Também prometo passar aqui com mais freqüência. Enfim, volto dizendo a vocês que abram alas porque o Natal está chegando.

O aquecimento por aqui anda a mil. E eu sei que muita gente vai discordar de mim, mas se Bogotá não ganha, empata com o Brasil no quesito alegoria de fim de ano. Deus do céu! Parece que Joãozinho Trinta é mais onipresente que Papai Noel nessa época. É tanta luz, tanta cor, que eu ousaria chamar o Natal por aqui de Carnavidad!

Ainda estamos nos ensaios. Mas já dá para ter uma noção do que vem por ai. Bonequinhos quebra nozes gigantes- e muitos!, carruagens, princesas, mamutes e muita, muita mangueira de LED. Elas estão em toda parte, nas ruas fazendo o contorno de estrelas, nas praças desenhando jardins noturnos com flores incas, girassóis maias, borboletas astecas. Enfim, uma grande festa da natureza, uma adaptação bem ao estilo americano do melancia na cabeça e uma lanterninha na mão.

um exemplo do que vem por ai na tela da tv no meio desse povo...

E a coisa segue pelas casas, de longe dá pra ver que as árvores não brilham, purpurinam em azuis, vermelhos, verdes – e até preto! As varandas trazem contornos de desenhos infantis, aquelas linhas tortas, mal ajambradas, uma beleza! Eu até tentei acreditar que poderia ser um estilo contemporâneo, mas o negócio é todo brega mesmo.

Mas ainda dá pra se divertir com essa história do bom velhinho. Querem um exemplo? As renas do vídeo abaixo. Eram sete horas da noite e as lojas dos shoppings fecham as oito. Algumas poucas almas perdidas, como eu, Zé e nossas visitas ilustres (Bel e Gu) perdiam o tempo por ali. Eu diria que não tinham nenhum motivo pra tanta animação. O que essas renas tomaram? Vai saber… –  talvez seja a chave para entender esse festival de luz por aqui…

Número dois

Outubro 28, 2009 por lobaestrangeira

Sempre me divirto com a delicadeza das placas que solicitam aos donos de cachorros que recolham as suas coisas (as do cachorro). O desenho é tão didático que dá vontade de sair recolhendo fezes de animais por prazer – e olha que cachorro é o que não falta por aqui, em especial os poodles e labradores, incrível.

Mas esses dias vi uma mulher fazendo o número dois livre leve e solta em um parque onde costumo correr. Ela não estava escondida, juro, vi a sua pouca bunda, a calça jeans até o joelho atrás de uma árvore, que era quase um ramo. Também não era uma indigente, estava bem vestida, bolsa jogada no chão, cachorro amarrado em uma árvore, cabelo arrumado, pronta pra sair.

Fiquei imaginando o tamanho do seu desespero. É , porque para chegar a esse ponto, num país tão conservador e vaidoso como a Colômbia, tem que estar com uma daquelas diarréias que arrepiam o corpo de ponta a ponta. E, no entanto, a bichinha parecia tranqüila, só faltava um jornalzinho pra ler. Passou uma babá empurrando um bebê no carrinho. Um homem no celular. Um feirante. E eu ainda fiquei olhando. E ela simplesmente fez o que tinha que ser feito. Deu uma limpadinha com uma folha de árvore mesmo. Pegou o cachorro e deu o velho vazari. Mas sem recolher as suas bolinhas. Dai fiquei vislumbrando uma nova placa e a possibilidade de começar esse texto com “Sempre me divirto com a delicadeza das placas que solicitam aos donos de cachorros que recolham as suas coisas”.

Tentei colocar umas bolinhas saindo do homem, mas sem photoshop é impossível. Alguém se habilita?

Bailando bailando bailando

Outubro 14, 2009 por lobaestrangeira

DSC06523

Dançar na Colômbia é como iniciar-se socialmente. Não, esse não é um artigo daqueles universitários com mais de 20 palavras no título. Mas acontece que ver esse fenômeno de perto tem me impressionado bastante. A primeira vez que participei de uma rumba de verdade por aqui me senti como em um filme de sessão da tarde, algo como Lambada, a dança proibida.

Estávamos em um encontro de performance da Universidade Nacional, com apresentações cheias de corpo, gênero e política. Todo mundo sentadinho em sua respectiva cadeira, animal humano em condição natural da espécie.  Entra em cena então uma banda. As cadeiras começam a se empilhar como carros de Fórmula I (nem o Rubinho escapava).  E de repente casais se formando. E  mais que de repente a pista toda dançando. Eu disse toda. Uma onda toda junta. Homem com mulher. Homem com homem. Mulher com mulher. Incrível. Salsa, suor e ritmo.

O colombiano gosta e sabe dançar junto. Quem me ensinou isso foi Efraim Medina Reyes, um grande escritor da nova geração colombiana. Ele, que nasceu em Cartagena, me disse que as crianças desde cedo aprendem a dançar juntas. As mães meio que forçam isso, porque senão, quando o bichinho cresce não consegue se socializar. Reyes me contou, por exemplo, que na sua cidade há uma espécie de dança do acasalamento, a Descarga, em que os homens dançam para as mulheres, enquanto elas descansam os pezinhos para a próxima rumba.

E a rumba pode ser, mas não é mal intencionada. Eles estão habituados a chamá-las para uma dançadinha básica, sem que para isso tenham que pagar com um beijo ou uma esticadinha noturna. Se rolar, bem, mas a idéia básica é dançar e ponto. E não tem lugar para isso. Pode ser uma boate top, um churrasco e até uma festinha para os amigos, tudo vira baile, tudo vira um bom motivo para um requebrado coladinho. 

Para nós, turistas brasileiros cheios de amor pra dar, mas sem nenhum swingado colombiano, nos resta o reggaetown. O ritmo é uma espécie de funk carioca colombiano ( que é a única coisa que se dança junto, porém separado, ou seja, há a possibilidade de se “resfregar” em outrem, mas não é obrigatório ) ou  admirar o que eles fazem desde pequenos. As imagens são de um Festival de Dança Típica que acompanhamos em Barichara, cidade que fica no departamento de Santander  (que terá o seu lugar especial nesse blog). Por enquanto, dança para os olhos e logo logo aguardem que chegaremos ao Brasil como profissionais da salsa…arriba!!!

Boyaca 3 – Lago de Tota

Outubro 3, 2009 por lobaestrangeira

Uma estonteante surpresa, daquelas que param os olhos e a boca em cinco segundos. Assim chegamos ao lago de Tota, depois de uma viagem de 20 minutos cheia de curvas entre Sogamoso e Aquitama. Um tempinho antes, havíamos parado para perguntar, afinal, ou chegávamos ao céu ou aos Andes, com tanta subida, não havia dúvidas de que nada dessa estrada nos levaria a um lago.

Um senhor nos disse que estava logo ali, mas não imaginávamos que o “ali” estivesse tão perto. Atravessamos uma curva e … um precipício. Em baixo dele um lago, gigante, rodeado de verde, uma vista de parar o carro e tirar uma foto (sim, precisava dividir isso com vocês).

A vista!!!!

A vista!!!!

O lago tem 47 km que percorremos em três horas entre paradas e tira dúvidas. O destino final era La Playa Blanca, algo inconcebível diante da paisagem local. É que a cidade que rodeia o lago, Aquitama, recebe o título de maior cultivadora de cebolinhas da Colômbia – título esse que, para mim e Alejandro (personagem que vai aparecer daqui a pouco), deveria ser trocado por produtora de todas as cebolas do país.

A paisagem é linda. Parece um tapete verde com casas salpicadas. Todas de tijolos e barro, o rústico até a última conseqüência. A moda local, o poncho e chapéu, pode ser vista nos mais velhos, nas crianças, nos rapazes de motos e se bobear, até nos poucos cavalos que aparecem na estrada.

cebolas

cebolas

 

e mais cebolas

e mais cebolas

Ao procurar o melhor rumo para chegar até a praia, tivemos uma lição: nem sempre o caminho mais perto é o mais rápido. O asfalto virou terra em um piscar de olhos e a estrada foi só diminuindo. Mas nunca o risco valeu tanto à pena. Descobrimos ovelhas de tudo quanto é tipo e, pasmen, também encontramos plantações de batatas ou papas se preferirem a tradução.

É surreal imaginar que alguém pode viver por ali. Mas, mais surreal ainda, foi encontrar Alejandro (sim, o tal personagem), que vivia em Bogotá e comprou uma espécie de bosque local, onde há uma praiazinha privada, um espaço para camping e uma pequena florestinha de pinheiros e eucaliptos. Nada a ver com nossa idéia de Colômbia. Nada. E ele, um pouco bêbado, foi nosso guia, mostrando a comodidade do local, explicando sobre o lago, que depois de três metros da margem chega a 67 de profundidade.

Mais terra e pronto, chegamos a Playa Blanca. Um monte de areia lindo e gelado. Umas churrasqueiras, cavalos para alugar, crianças jogando bola, um barquinho louco para ter seus dias de Titanic, dois vendedores de doce no melhor estilo mexidão de açúcar ou aventuras no banheiro, três cachorros tentando fugir da chuva, vallenato (sertanejo local) e cerveja, enfim, tudo para uma grande farofada.

Mas, incrivelmente a coisa era organizada. A distância, nesses casos, continua sendo a melhor proteção contra a civilização. Restaurantezinho simples, com todas as formas de truta (peixe local) e um outro aprendizado importante (constatado já em Villa de Leya): não existe entrada na Colômbia. Se você não explicar, vem entrada, prato principal, sobremesa, tudo junto e vai esfriando em família.

Depois, mais uns quilômetros de asfalto (sim, chegamos mais rápido que pela terra), mais ovelhinhas, o onipresente cheiro de cebola pela cidade e uma vontade de voltar um dia para um pouso – nada mais que uma noite, afinal são 3100m de altitude e um frio de doer qualquer coisa que se pareça com corpo.

não dá vontade de levar pra casa?

não dá vontade de levar pra casa?

 

Boyaca II – Fábricas de Arepa

Setembro 28, 2009 por lobaestrangeira

 No meio do caminho havia uma arepa. Havia uma fábrica de arepa no meio do caminho. Não, um bom bocado delas, se o lugar exato for a estrada para Sogamoso. Arepa é uma comida local, onipresente como o abacate, o patacón (uma espécie de chips de banana) e as papas (batatas pequenininhas). Pode ser feita de queijo, cereais ou milho. Geralmente tem a massa preparada antes e são assadas em uma chapa, algo entre um pão de queijo e uma panqueca, sei lá.

 Ela acompanha do arroz com feijão ao Cuello de Pollo, outro exemplar da culinária exótica colombiana que encontramos por aqui. Seria só pescoço de galo, se não fosse por uma pequena distinção: eles tiram os ossos e recheam com arroz, condimentos, cebola e o que mais a imaginação mandar. Ah, também cortam o bico do bichinho, costuram tudo e assam. O negócio não fica muito bonito, mas parece que é gostoso. Se não fosse tão cedo eu teria provado (mas ainda vou, apesar da cara de nojo do Daniel).

Mas voltemos às arepas. As fábricas são uma espécie de barraquinhas que ficam na beira da rodovia. São super requisitadas e, segundo uma proprietária, a venda média é de 80/dia. O valor de uma arepa por aqui é de R$1 e a comida, a pesar do tamanho, dá uma inflada no estômago. Não é um pão de queijo e nem um omelete. Eu colocaria um temperinho a mais, mas isso é coisa de mineiro.

Vai uma arepimnha ai patrão?

Vai uma arepinha ai patrão?

Patacón

Patacón

Cuello de Pollo - homenagem aos amigos vegetarianos

Cuello de Pollo - homenagem aos amigos vegetarianos

Boyaca I – Villa de Leya e Tunja

Setembro 24, 2009 por lobaestrangeira

De volta! Com histórias sobre o departamento (o equivalente a estado) de Boyacá. A nossa empreitada pelo país começa de carro. Para ser mais exata, há três horas de Bogotá, num trânsito maluco (só para variar) entre estradas de mão dupla e com uma só mão.  A idéia é conhecer a famosa Belencito, onde o Daniel trabalha e dorme de segunda a quinta, e  sua região.

Estamos no estado de Boyaca, região de montanhas que fica a oeste do país. Com direito a três pedágios e muitos desvios (estão ampliando a estrada, e a negociação é pessoal, ou seja, o Governo conversa com pessoa por pessoa sobre preço, etc. Quando ele fecha com alguém, derruba a casa e amplia essa parte. Então a ampliação até agora é salpicada, pula uma casa, amplia, pula duas, amplia… imagina quando isso vai ficar pronto…) você chega a Tunja.

 De longe, é a cidade mais feia que já conheci – e olha que vivi em Vespasiano… A cidade é famosa por ser o berço da independência do país. Um pouco antes, encontramos a grande Puente Boyaca onde Simon Bolívar ergueu sua espada e declarou a independência do país. Vocês verão que a noção de grande muda muito com o tempo e o rio Ipiranga está ai para nos dizer isso.

 No lugar, encontramos monumentos à conquista e pessoas tentando tirar as fotos mais criativas possíveis (urinando na pira monumental – o fogo que não se apaga, oferecendo um trago a Simon Bolívar, pescando no rio Boyaca, etc). Aqui, a história também já começa a receber zombeterias.

O destino desse dia era Villa de Leya, uma região famosa por sua arquitetura, história e tudo mais que o turismo pode vender. Entre sobe e desce (nunca vi tantos) descobrimos uma paisagem que é seca, mas não é o sertão, que é rala, mas não é o nosso cerrado,  enfim, algo que nunca vimos no Brasil.

São montanhas cheias de ondas (como se alguém tivesse penteado um cabelo enrolado) que às vezes dão a impressão de estarmos em um desenho do Papa Léguas. Tudo muito grande, muito novo e muito bonito.

Montanhondas

Montanhondas

A cidade é uma Tiradentes com uma praça principal maior. As casinhas e casarões, a igreja, o verde e o branco, aquela sensação de estar em uma novela de época. Não encontramos muitos atrativos, um museu paleontológico com um poodle na mesa de recepção, um mosteiro fechado e ao que consta (mas não conferimos) um observatório.

 Ah, e muitas lojinhas, com adaptações do tradicional ao gosto contemporâneo descolado. É como eu disse, muito Tiradentes. Sem ser injusta, seria o lugar ideal para um festival cultural (que perdemos) ou gastronômico (que não existe). Mas a idéia é dormir na grande Belencito. Então lá vamos nós.

Villa de Leya : Tiradentes com praça maior. Pronto falei.

Villa de Leya : Tiradentes com praça maior. Pronto falei.

Recado

Setembro 21, 2009 por lobaestrangeira

Fechada para viagem sem internet. Volto na semana que vem. Sim, eu aviso. Até lá.

Propinita para Chaves

Setembro 8, 2009 por lobaestrangeira

Para Álvaro Uribe, presidente colombiano que tenta o tri, inflamar os inimigos da nação é mais que interessante no momento em que a população votará se ele pode ou não se eleger pela terceira vez. É que quanto mais os inimigos aparecem, mais o presidente colombiano vira um defensor nacional. Uribe é super popular por aqui e o seu populismo equivale ao seu direitismo. Dai o país estar dividido entre dois extremos: uribistas tradicionalíssimos e super pró militares e o esquerdismo na figura das FARCs, milícias e Hugo Chávez.

Chávez e Uribe andam, inclusive, brigando por espaço no meio internacional. Por enquanto, julgo que a coisa anda no um a um: um ponto para Uribe sobre a defesa das bases norte americanas no país no encontro do Cono Sur e um recente para Chávez, que alçou a calçada da fama no festival de Veneza com o filme South of the Border  de Oliver Stone.

Mas o que ganha por aqui é o envolvimento da população com a política local. No dia em que Uribe defendeu a transferência de bases norte-americanas que estavam no Equador para regiões colombianas parecia final de Copa do Mundo.

Nas ruas, o povo acompanhava a acusação de Chávez (fortalecimento dos EUA na região) e a defesa de Uribe (testes e inteligência no combate ao narcoterrorismo e o narcotráfico). Os táxis também estavam ligados nos depoimentos pelo rádio e a Plaza Bolívar (centro dos poderes) tinha um telão com transmissão ao vivo do evento para a centena que não conseguiu correr para casa.

E isso é comum por aqui. Qualquer colombiano é capaz de falar em que pé está a política em seu país, comentar – e também repetir – o que dizem os meios. Talvez porque seja decisivo para eles. Talvez, porque, como Oliver Stone destaca no seu documentário, a América do Sul (e aqui, especialmente Chávez) começa a assumir  outros papéis e formas de governo no mundo e, em especial, na sua relação com os EUA.

Isso pode ser decisivo para a Colômbia – afinal estão estreitando cada vez mais sua relação com o país de Obama e pondo em risco a conversa com os vizinhos. Mas também é decisivo para o Brasil e, cá entre nós, tem um bocado de brasileiro pouco se fu… com tudo isso. Acho que só agora começo a entender que o Brasil também é a América Latina. Mas o resto da América Latina também tem lá suas dúvidas quanto ao pertencimento do Brasil.

Por ironia, encontrei no Festival de Cinema Brasileiro promovido pela nossa embaixada Chesperito, o Chaves  (sósia, mas Chaves), velho coringa do SBT. Estava na porta, fazendo o seu merchand . Pedi uma foto e ele uma propinita (aqui isso tem um sentido mais ameno, de gorjeta, esmola, etc). Como bom colombiano que era, animava os brasileiros, mas não abandonou nem na foto o agasalho com a bandeira americana. Enfim, por aqui há Chaves e Chávez.

Isso, isso, isso

Isso, isso, isso